Recentemente, em resposta ao meu blog “O que é o Cristianismo sem Apologética e Missões?”, me perguntaram por que acredito que muitas igrejas não conseguem conectar a apologética com missões. Meu primeiro pensamento foi: como as igrejas não conseguem fazer essa conexão e ainda cumprir seu propósito como a Noiva de Cristo? Deixe-me explicar.
Acredito que muitas igrejas hoje não enxergam a conexão entre apologética e missões por falta de uma base sólida; elas não percebem nem (i) a necessidade da apologética na igreja, nem (ii) a necessidade de missões na igreja. Se a igreja não entende inicialmente a importância de ambas de forma individual, ela nunca entenderá como as duas devem estar conectadas na vida do crente e, por fim, da própria igreja.
Creio que o verdadeiro coração missionário das Escrituras, como Deus delineia de Gênesis a Apocalipse, foi perdido por muitas igrejas. Muitas vezes, a missão é diluída em algo que a maioria dos cristãos pode aceitar sem precisar abrir mão de seus confortos ou, Deus nos livre, da própria vida. Já ouvi inúmeras vezes que a igreja pode fazer missões, inclusive alcançar os não alcançados, sem sequer sair do conforto e segurança de casa. Essa mentira é acreditada por muitos hoje em dia. A prova disso? Dos 2 bilhões de cristãos no mundo, apenas cerca de 10 mil trabalham intencionalmente entre os povos não alcançados. A igreja deve sim alcançar os que estão próximos, mas os 2,4 bilhões de não alcançados estão quase totalmente fora das comunidades cristãs. Precisamos obedecer ao chamado de Cristo e ir aonde Ele nos enviar — seja no trabalho, em casa ou nas selvas da Ásia. Muitos de nós, não só os ocidentais, precisarão deixar seu lar se quisermos alcançar todas as nações.
Suponhamos agora que uma igreja compreende o mandamento de Cristo de ir a todo o mundo. O que vem depois? Fazer discípulos, é claro! Como? É aí que a apologética se torna essencial para a igreja.
Fazer discípulos envolve apresentar às pessoas a realidade e a possibilidade de um relacionamento com Cristo — primeiro como incrédulos e depois como discípulos. Ferramentas como o Caminho de Romanos ou o Curso Alpha são ótimas, mas não servem para toda cultura ou situação. Não existe um programa ocidental que se encaixe em todas as culturas e países. A apologética supera esse problema e nos capacita, como indivíduos, a compartilhar e defender as Escrituras a partir de princípios básicos, atravessando culturas. Por que, então, não usamos a apologética em nossa própria cultura ou nos confins da terra?
Acredito que a igreja rejeita essa habilidade por dois motivos:
- A má compreensão do que é apologética. Minha definição favorita é: “um argumento ou escrito fundamentado em defesa de algo, geralmente uma doutrina religiosa”. (Expando isso mais em Na Caixa da Apologética Cultural?)
- O medo de que usar lógica, história ou filosofia para defender a fé a torne algo meramente racional, como se fosse uma heresia gnóstica baseada em conhecimento.
O extremo oposto — geralmente adotado hoje — é a ignorância intelectual. Ambos os extremos precisam ser corrigidos. É totalmente possível não comprometer nossa fé ou a graça salvadora de Deus enquanto estudamos campos acadêmicos que dão apoio e evidências à realidade das Escrituras.
Ao abraçarmos a ideia de que todo crente (e não apenas estudiosos ou pastores) deve praticar apologética, teremos uma igreja global composta por pessoas capazes de apresentar a realidade de Cristo e discipular em qualquer cultura.
Assumindo que a igreja agora entende e valoriza tanto a apologética quanto as missões, ela pode refletir sobre como esses dois campos estão conectados. O resultado será transformador para a igreja e para o mundo. Isso permitirá que cada membro da igreja faça discípulos em qualquer cultura, do seu quintal até os confins da terra. Não é isso que desejamos como igreja? Não é essa a nossa missão?
Em tudo isso, é importante lembrar que não é a apologética ou as missões que salvam, mas Deus pode usar essas ferramentas se estivermos dispostos e preparados. Um bom exemplo é o testemunho de Guillaume Bignon, um ex-ateu francês que hoje é um estudioso cristão. Quando Deus começou a trabalhar em sua vida, Guillaume conheceu um pastor que, de forma humilde, sabia defender a fé cristã. Os pontos importantes aqui são:
(i) foi Deus quem iniciou a conversão,
(ii) o servo de Deus estava exatamente onde Ele o colocou,
(iii) e o servo foi capaz de explicar e defender as Escrituras.
Isso permitiu que Guillaume continuasse sua luta interna até se render à maravilhosa herança em Cristo.
Se nossas igrejas não conseguem conectar apologética e missões, sejamos catalisadores dessa reflexão. Enquanto a igreja não unir, abraçar e praticar a apologética e as missões juntas, estaremos perdendo oportunidades todos os dias de compartilhar o evangelho e ver a glória de Deus revelada — o verdadeiro propósito da nossa existência!
Traduzido para o portugues pela equipe do Seitas.com.br
postado originalmente no “The Christian Apologetics Alliance” e escrito por Kit Walker
